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sábado, 5 de dezembro de 2015

Na Décima Nuvem




Leia ao som de: "I Never Wanted To Go" - Willamette Stone


Procuro um amor que saiba cozinhar. Mas que não precisa ser nada muito chique, gourmet. Uma batata frita com casca, uma pizza de mentirinha e um ravióli qualquer já me ganham. Pode saber pedir de um restaurante bacana, também, é claro. Mas que faça com carinho.

Se souber fazer jujubas ou me presentear com elas, ganha vantagem.
Meu amor tem que ter boas palavras também. Tem que saber me lamber e me morder. E tem que gostar de beijo – em qualquer lugar, em qualquer hora. Nunca é demais para um beijo, beijinho ou tudo mais. Mas tem que gostar de beijar.
Afinal, beijo continua sendo a segunda melhor coisa que a gente faz com a boca. A primeira melhor, bem, deixa pra lá.

Procuro um amor que leia. Não todos os livros. Ou livro nenhum. Mas que saiba me ler. Saiba entender o grito silencioso das minhas pernas e as páginas da minha testa franzida. Amor tem que conhecer e reconhecer o outro. Nada mais chato do que ter que ficar contando as suas histórias e segredos pra alguém.
Procuro um amor que não minta. Mas que também não me conte todas as verdades. Principalmente as que eu perguntar. Desconverse. Me faça cócegas. Sei lá. Mas não minta.
Palavras têm peso dois nas minhas histórias. Promessas, também – das mais simples às mais complicadas.

Procuro um amor que me encontre a hora que for. E que pode se atrasar também. Que saiba se arrumar, mas que também dispense essas coisas de vaidade. Que roube minhas blusas, meus chinelos e shorts antigos.
Procuro um amor que eu tenha orgulho de estar ao lado – e que saiba a importância de dar às mãos. Não precisa ter muito dinheiro. Mas que tenha bons planos de carreira. Amor vagabundo demais, cansa. Amor trabalhoso demais, some.

Procuro um amor meio-termo. Que xingue coisas engraçadas, que me mande tomar-no-cu sorrindo, mas que me faça declarações, também. Que tenha pudor para saber bem a hora de não tê-lo. Procuro um amor que saiba que flores e tapas têm suas horas.
Procuro um amor multifacetado. Desses que me lembram alguém, mas não sei quem é, nem sei de onde.
Mas que me dê a velha sensação de que tudo será eterno desta vez.


- Meu universo particular

sexta-feira, 2 de outubro de 2015

Sobre as coisas que fazemos quando jovens




A juventude é uma fase que pode ser vista por ambas perspectivas, mas geralmente é vista como boa e ao mesmo tempo complicada. É quando nos desprendemos da vida infantil e começamos a adquirir mais responsabilidades que a vida adulta nos traz. Em meio esse novo mundo de descobertas, nos encontramos com nós mesmos através do autoconhecimento e somos marcados pelas nossas “primeiras vezes”. Sejam elas boas ou ruins, são marcantes por se tratarem de uma primeira vez, uma nova experiência. Futuramente nos deparamos com a saudade, ou com o arrependimento. Mas tudo faz parte para que aprendamos com nossas próprias atitudes, sejam erros ou ganhos. Conselhos são sempre bem-vindos, não só nessa etapa da vida, mas temos que aprender muitas coisas por nós mesmos. Como encarar as primeiras vezes da vida é algo bem relativo, cada um acolhe cada situação de uma forma diferente, mas somos conscientes de que certas coisas fazem parte, cedo ou tarde acontecem uma coisa ou outra.

Todos passamos por diversas fases na vida, e a juventude é uma delas. Uma vez dotadas de especificidade própria, as fases da vida não se tornam apenas autônomas, mas umas com relações às outras futuras. A juventude dos anos 60, por exemplo, não é a mesma juventude de hoje, os costumes foram se modernizando e sendo adaptados há o que conhecemos, mas que daqui um tempo já será uma geração passada também, dando espaço para novos jovens. Isso tudo para dizer que, independentemente das gerações, sempre houveram e haverá primeiras vezes. Claro que com uma intensidade menor ou maior para algumas coisas. Pensando em casos próximos para exemplificar, nossos avós, em seu primeiro beijo, era algo inédito. Para você, hoje em dia, um beijo não passa de um beijo. Mas impressiona lembrar que eles se casaram aos 12 anos e tiveram 10 filhos. Isso porque as pessoas diminuíram a quantidade de filhos e agora não se preocupam tanto com casamento, podemos dizer que os jovens estão mais empenhados em se estabilizar profissionalmente, por isso vão cada vez mais em busca de formações acadêmicas. Alguns valores e princípios, básicos ou não, mudaram e passam por constantes mudanças.

Essas pequenas coisas são tão especiais, mas é engraçado porque só nos damos conta disso quando o tempo passa e o creme anti-rugas já está batendo em nossa porta. A vida tem um timing que só alguma força superior entende e que eu ainda sou muito jovem para compreender.


Uns acreditam em horas certas para que suas primeiras experiências aconteçam, outros se jogam de cabeça em busca de satisfazer-se momentaneamente. Não se sabe o que realmente vale a pena seguir, como dizem: o coração ou o cérebro, o sentimento ou a razão, mas sabemos que tudo faz parte do crescimento humano. Adquirimos no decorrer da vida maturidade, consciência de nossos atos, dentre outras tantas coisas que nem eu saberia dizer por também não conhecer essa imensidão de mistérios chamada vida.



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